sábado, 6 de junho de 2020

Proposta de implementação de cotas na pós da APG-IA

Em outubro do ano passado fizemos uma proposta de implementação de cotas na pós-graduação do Instituto de Artes. O programa de Artes da Cena foi o primeiro do nosso instituto a incluir no edital de seleção para o segundo semestre de 2020. Compartilhamos aqui o texto que redigimos:
Proposta para implementação de cotas na pós do Instituto de Artes - outubro de 2019

E fiquem atentas/os às atividades do GT de cotas na pós da APG Unicamp! Ontem mesmo teve uma live que está disponível na página.


Primeiro anunciaram uma reformulação da pós-graduação

Infelizmente no dia 02/06  o Conselho Universitário da Unicamp aprovou a cobrança dos cursos de pós-graduação lato sensu. Pelo menos continuamos com o orgulho de nosso instituto ter se posicionado contra essa cobrança e a serenidade de quem sabe que esteve do lado certo da História.

Poema que fizemos para o ato do Cortejo fúnebre da universidade pública, em outubro do ano passado, que fica mais real a cada dia... Mas a luta não acaba aqui: continuamos em defesa da educação pública! Junte-se a nós!

Carta da APG-IA sobre a cobrança do lato sensu

No dia 01/06 a Congregação do Instituto de Artes votou CONTRA a proposta de cobrança dos cursos lato sensu! Por 10 votos a 5, o IA diz #PósPagaNão!!!! A APG-IA leu uma carta na congregação. Compartilhamos aqui o seu conteúdo.


















Carta da APG-IA à Congregação do Instituto de Artes da Unicamp

Nós da Associação de Pós-Graduandas e Pós-Graduandos do Instituto de Artes da Unicamp vimos através desta carta expressar nossa preocupação e descontentamento com a retomada da proposta da reitoria de alterar o regimento de pós-graduação para permitir a cobrança dos cursos Lato Sensu.
Antes de mais nada, gostaríamos de registrar que nos causa espanto a retomada dessa pauta num momento absolutamente atípico, no qual todos os esforços deveriam estar voltados à resolução de problemas decorrentes da pandemia de COVID-19 que estamos enfrentando e ao planejamento de nossas próximas ações, incluindo a retomada das atividades presenciais quando for o momento oportuno. Consideramos que, por se tratar de uma pauta polêmica e que trará mudanças significativas, esta deveria ser debatida com a devida atenção quando retornada a normalidade.

A proposta de regulamentação da cobrança da pós-graduação Lato Sensu foi apresentada pela primeira vez em maio de 2019. Desde aquele momento, nós das representações discentes junto com estudantes tanto da pós quanto da graduação fizemos um longo estudo da tramitação da proposta e identificamos uma série de problemas que ela poderá acarretar à Unicamp, colocando em xeque um dos seus princípios fundamentais, o do acesso gratuito e universal. Essas fissuras não foram apontadas somente por nós, mas por docentes que também receberam a proposta com surpresa e indignação.

A reitoria argumentou reiteradas vezes que a cobrança da pós-graduação Lato Sensu é uma realidade em outras universidades após ter sido permitida pelo STF, que interpretou que essa cobrança não fere a Constituição. De fato esse argumento é correto. Mas nos parece que uma universidade que tanto se vangloria de ser uma das melhores da América Latina deve trazer consigo, além dos louros, a responsabilidade de dar bons exemplos às demais instituições, ao invés de adequar-se às suas falhas. Não é porque as outras fazem que a Unicamp deve fazer também. A cobrança da pós-graduação Lato Sensu impõe à Unicamp uma lógica mercadológica que nada tem a ver com os princípios que regem – ou deveriam reger – esta prestigiosa instituição, tais como o acesso universal e igualitário a um ensino de qualidade e preocupado com o desenvolvimento e bem-estar da sociedade.

Outra argumentação utilizada é que a cobrança de cursos Lato Sensu poderá ser revertida em verba para a própria Unidade. Inclusive, é importante destacar que mais do que o mérito da cobrança de cursos, o que norteou a discussão da reunião do STF que permitiu a cobrança foi o sucateamento da universidade em virtude do pouco investimento dos governos, expondo a situação de algumas universidades estaduais e federais. Assim, a possibilidade de conseguir mais verba com a cobrança da pós-graduação lato sensu pode soar tentadora, considerando que esse sucateamento da educação pública brasileira é agora, mais do que nunca, um projeto de governo. Porém, esse pensamento nada mais faz que eximir os governos estadual e federal da responsabilidade que lhes cabe de dar todas as condições necessárias para o bom funcionamento das instituições públicas de ensino. Ademais, permitir a cobrança de cursos dentro das universidades abrirá um precedente para o processo que se avizinha de perda de autonomia para a iniciativa privada. O risco é iminente: quem investe, determina o que interessa e o que não interessa. Novamente vale apontar a argumentação que se deu no STF: os ministros criticaram a autonomia universitária - um dos maiores orgulhos das universidades paulistas e uma conquista que celebrou 30 anos em 2019 - e muitos se mostraram favoráveis a abrir imediatamente a discussão para permitir a cobrança também dos cursos stricto sensu.

Soma-se a isso a visão equivocada que alguns ministros demonstram ter da pós-graduação. Para que seja possível compreender melhor o nível da discussão, citamos com infelicidade o ministro Dias-Toffoli: “O Estado financia formações individuais para que a pessoa tenha a titulação para o mérito dela e não para o retorno à sociedade. Muito diferente do que como países, como Estados Unidos e a Alemanha, em países os quais a maioria das instituições de Ensino Superior são privadas... As políticas públicas e as pós-graduações são voltadas aos interesses da sociedade e do mercado, para o desenvolvimento da nação. Aqui no Brasil muitas vezes o Estado financia mestrados e doutorados para ver por que que formiga anda em fila, para a pessoa receber uma titulação e aquilo depois para a sociedade não vai ter retorno nenhum. (...) Não se financia um projeto para a vaidade pessoal, para o orgulho pessoal. Tem que ser financiado para um retorno à sociedade!”

É extremamente infeliz que um ministro pense assim sobre o nosso ensino superior, minimizando a pesquisa brasileira e falando que ela serve para vaidade pessoal. No ano passado aconteceu o movimento ciência na rua e estudantes do Instituto de Artes participaram levando arte, cultura e pesquisa para as ruas. A própria reitoria da Unicamp se preocupa em mostrar que o que se faz na universidade tem como propósito dar um retorno à sociedade, realizando inúmeras campanhas e endossando outras, como a Marcha pela ciência da ABPC. A direção do nosso instituto, junto com toda a comunidade do IA, também têm pensado incansavelmente na importância que a arte tem neste momento de pandemia, o que resultou em uma campanha de solidariedade e no projeto IA em Casa. É óbvio que podemos sempre melhorar nosso diálogo com a sociedade, abrir mais as portas da universidade com extensão e democratizar o acesso ao ensino, mas muito se fez nos últimos anos. Assim, temos razões para nos orgulharmos e repudiarmos a fala leviana do ministro, bem como falas semelhantes nesse sentido. Essa reunião do STF foi um ataque à educação pública brasileira.

No caso do nosso Instituto, está mais do que explícito que o novo projeto de Brasil definitivamente não nos inclui. Apoiarmos iniciativas como esta é assinar nossa sentença de morte. É preciso defender até o fim os princípios que regem a universidade pública, pois só assim poderemos garantir que pesquisas no campo das artes continuem existindo. Se até dois anos atrás isso parecia alarmismo, hoje essa realidade bate à nossa porta, como pode ser visto, por exemplo, na exclusão recente das humanidades como áreas estratégicas para o financiamento de pesquisas. Por isso mesmo, mais do que nunca precisamos de união entre as humanidades. Apelamos para que a congregação do Instituto de Artes apoie a decisão de suas unidades irmãs: a Faculdade de Educação, a Faculdade de Educação Física, o Instituto de Filosofia e Ciências Humanas e o Instituto de Estudos da Linguagem votaram contra a proposta de cobrança do lato sensu em suas congregações.

Não conseguimos vislumbrar para o Instituto de Artes nenhuma vantagem advinda da cobrança de pós-graduação Lato Sensu. É preciso ainda que se considere que o público-alvo do nosso Instituto – a classe artística – vive constantemente em situações de delicadeza financeira, considerando as condições de subemprego que temos que enfrentar no mercado de trabalho e que ainda assim são ameaçadas constantemente, como vimos no final do ano passado com a retirada de inúmeras profissões artísticas do registro MEI, que foi revertida graças à mobilização nacional de artistas. Assim, a cobrança de um curso que visa dar o grau de especialista para auxiliar esse profissional em sua carreira cria um paradoxo, pois este indivíduo não terá condições financeiras de acessar essa oportunidade. Isso somente contribui para aumentar o abismo social que enfrentamos diariamente.

Além disso, acreditamos que a escola de extensão da Unicamp já contempla nosso instituto por oferecer mais liberdade e flexibilidade na estrutura dos cursos. Como disse o Prof. Dr. Fernando Hashimoto, Pró-Reitor de Extensão e Cultura, no Instituto de Artes um docente pode montar um curso de especialização modalidade extensão com uma equipe com vários docentes de fora da Unicamp, o que seria dificultado com as regulamentações do lato sensu.
Diante dos pontos acima levantados, recorremos ao bom senso das conselheiras e dos conselheiros para que reflitam sobre o impacto negativo que a aprovação da cobrança de cursos de pós-graduação Lato Sensu causará sobre toda nossa comunidade, além do risco que isso trará para as áreas de humanidades e mais especificamente para as artes. É nossa responsabilidade enquanto estudantes, docentes e funcionários defender a Universidade Pública. Agradecemos pela possibilidade de nos expressarmos na congregação.

Atenciosamente,
Associação de Pós-Graduandas/os do Instituto de Artes
01 de junho de 2020

Estudantes de Música contra a cobrança do lato sensu


A representação discente do departamento de Música escreveu uma carta para docentes da Música que são representantes na Congregação do IA. Estudantes de graduação, pós e egressas/os da Música também contribuíram com a campanha de cartazes! Também há uma foto da APG-IA e uma do CAIA - Centro Acadêmico do Instituto de Artes da Unicamp​, tiradas na Unicamp antes da suspensão das atividades presenciais. #PósPagaNão




Trecho da carta da representação discente da Música:

"A representação discente, após discutir o assunto, se reunir a APG (associação de Pós-graduandos e Pós-graduandas) do Instituto de artes e com a APG central da Unicamp, e se inteirar sobre a situação, faz-se valer dos seguintes apontamentos:

Contra a cobrança do lato sensu #PósPagaNão

Infelizmente na atualização do nosso blog o lato sensu já foi aprovado pelo Conselho Universitário, mas vamos deixar registrada aqui nossa mobilização.























A próxima reunião do Conselho Universitário, no dia 02/06, retoma em plena pandemia a alteração no regimento geral de pós-graduação para permitir a cobrança dos cursos lato sensu. Desde que esse assunto chegou à Câmara de Pesquisa, Ensino e Extensão (CEPE) em agosto do ano passado nos posicionamos e nos mobilizamos contra a cobrança. Em novembro a CEPE aprovou a proposta de alteração com apenas um voto de diferença. Criamos um Grupo de Trabalho e estudamos a fundo a proposta. Você pode conferir nosso relatório neste link.

Lutamos pela gratuidade em todos os níveis de ensino: colégios técnicos, graduação e pós-graduação, stricto e lato sensu! Chamamos todas e todos para se juntarem a nós na campanha em defesa da gratuidade da pós-graduação!


Manifesto pelas cotas étnico-raciais nos colégios da Unicamp

O Conselho Universitário do dia 02/06 foi histórico: a implementação das cotas nos colégios técnicos da Unicamp foi aprovada! É um passo muito importante para a democratização da educação! Segue aqui o manifesto que assinamos.























"No dia 02 de Junho (terça-feira) o Conselho Universitário da UNICAMP estará diante de uma pauta histórica: a votação da proposta de cotas étnico-raciais e sociais de seus Colégios Técnicos (COTIL e COTUCA). Terá, portanto, a oportunidade de reafirmar o seu compromisso com a democratização do acesso ao ensino público de qualidade, tal como o fez quando houve a implementação das cotas na Graduação. 

É importante ressaltar que o processo de elaboração, amadurecimento e finalização da proposta que será votada ocorre há mais de dois anos. Em que, sucintamente, foi construído coletivamente entre professores, alunos e funcionários nos colégios; votado em seus órgãos colegiados (tanto do COTIL, quanto do COTUCA); consultados os coletivos e movimentos que historicamente pautam essas ações afirmativas na Universidade; e passou por todos os trâmites estabelecidos dentro da Unicamp.

A implementação das cotas étnico-raciais e sociais nos colégio técnicos, mais do que necessárias, são urgentes. Pois vemos que nestes, principalmente nos cursos de concomitância interna (onde o aluno cursa o ensino técnico juntamente com o médio no colégio) há uma grave desproporcionalidade entre o perfil étnico-racial e de escola de origem (públicas ou privadas) dos ingressantes com a realidade do Estado de São Paulo. É nítido que nesta modalidade de maior concorrência (principalmente nos cursos de período integral) é possível perceber um predomínio da presença de ingressos de alunos oriundos de escolas particulares que não condiz com o percentual paulista onde a maioria (80%) dos matriculados nos anos finais do ensino fundamental II são de escolas públicas. E também uma sub representação étnico-racial muito abaixo da realidade estadual.

Pedimos ainda aos/às estudantes, docentes e funcionários(as) que endossem o seu apoio a proposta, apoio este que foi expresso pela representação nos órgãos colegiados quando houve a sua aprovação. É necessário que esta pauta esteja presente nas redes sociais e que a comunidade escolar expresse o seu apoio a implementação das cotas nos colégios.

Enfatizamos que a política de cotas étnico-raciais e sociais visam portanto corrigir estas distorções, promovendo assim, a democratização efetiva do acesso a estas instituições de ensino públicas reconhecidas por sua qualidade. Portanto, pedimos aos/às conselheiros e conselheiras que votem a favor desta importante ação afirmativa que contribuirá para a justiça social e minimização de desigualdades historicamente herdadas.

ASSINAM ESTE MANIFESTO:
- Coletivo Negro do Colégio Técnico de Campinas (COTUCA) - Crioules
- Grêmio Estudantil do Colégio Técnico de Campinas (COTUCA) - chapa Rosas da Resistência
- Coletivo Conexão Preta (CCP - UNICAMP LIMEIRA)
- Frente Pró-Cotas da UNICAMP
- Núcleo de Consciência Negra da UNICAMP
- Cursinho Popular Sabotage
- Educação Popular Vila Soma
- Cursinho Popular Responsa!
- Coletivo Negro Simone Maia - IB/UNICAMP
- Grêmio Estudantil Nelson Mandela (IFSP - HTO)
- Fórum Municipal de Educação de Campinas
- União Campineira de Estudantes Secundaristas (UCES)
- União Paulista de Estudantes Secundaristas (UPES)
- União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP)
- Associação de Pós Graduandas e Pós Graduandos da UNICAMP (APG Central UNICAMP)
- Associação de Pós Graduandas e Pós Graduandos do Instituto de Artes da UNICAMP (APG-IA)
- Movimento por uma Universidade Popular (MUP - UNICAMP)
- Centro Acadêmico do Instituto de Economia da UNICAMP (CAECO)
- Centro Acadêmico Adolfo Lutz (CAAL) - UNICAMP
- Centro Acadêmico de Pedagogia Marielle Franco (CAPMF) - UNICAMP
- Centro Acadêmico da Educação Física da UNICAMP (CAEF)
- Centro Acadêmico Robert Perry da Faculdade de Engenharia Química da UNICAMP (CAFEQ)
- Centro Acadêmico da Biologia da UNICAMP (CAB)
- Centro Acadêmico de Ciências Sociais e História, da UNICAMP (CACH)
- Centro Acadêmico Antônio da Costa Santos da UNICAMP (CAACS)
- Centro Acadêmico de Estudos da Química da UNICAMP (CAEQ)
- Centro Acadêmico da Linguagem (CAL) - UNICAMP
- Centro Acadêmico de Geologia Asit Choudhuri da UNICAMP (CAGEAC)
- Centro Acadêmico da Computação da UNICAMP (CACo)
- Centro Acadêmico da Licenciatura Integrada em Química e Física (CALI) - UNICAMP
- Centro Acadêmico da Faculdade de Engenharia de Alimentos - UNICAMP (CAFEA)
- Centro Acadêmico X de Setembro da Fonoaudiologia da Unicamp (CAXS)
- Centro Acadêmico do ProFIS Unicamp (CAEFIS)
- Centro Acadêmico XI de Agosto, Direito - USP
- Centro Acadêmico Herbert de Souza, de Gestão de Políticas Públicas da USP
- Movimento de Juventude Juntos (Campinas)
- União Nacional LGBT - Campinas (UNA-LGBT)
- União de Negras e Negros pela Igualdade (UNEGRO) de Americana
#CotasNosColégiosDaUnicampJá"

Confira no post mais de 100 fotos de apoio!


Chamada para projetos artísticos e culturais

Divulgando:

"A Extensão e Cultura Unicamp (𝗣𝗿𝗼𝗘𝗖) pela 𝗗𝗶𝗿𝗲𝘁𝗼𝗿𝗶𝗮 𝗱𝗲 𝗖𝘂𝗹𝘁𝘂𝗿𝗮 (𝗗𝗖𝘂𝗹𝘁) e considerando o momento atual de isolamento social devido à pandemia causada pela Covid-19, abre inscrições para submissão de propostas para 𝗖𝗛𝗔𝗠𝗔𝗗𝗔 𝗗𝗘 𝗔𝗣𝗢𝗜𝗢 𝗔 𝗣𝗥𝗢𝗝𝗘𝗧𝗢𝗦 𝗔𝗥𝗧Í𝗦𝗧I𝗖𝗢𝗦 𝗘 𝗖𝗨𝗟𝗧𝗨𝗥𝗔𝗜𝗦 𝗘𝗠 𝗧𝗘𝗠𝗣𝗢𝗦 𝗗𝗘 𝗖𝗢𝗩𝗜𝗗 -𝟭𝟵, com registro digital direcionado para plataformas digitais e veiculação online 𝗜𝗡𝗦𝗖𝗥𝗜𝗖̧𝗢̃𝗘𝗦: 𝗱𝗲 𝟴 𝗮 𝟭𝟬 𝗱𝗲 𝗷𝘂𝗻𝗵𝗼. 

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